{"id":4589,"date":"2016-12-02T14:00:32","date_gmt":"2016-12-02T16:00:32","guid":{"rendered":"http:\/\/aacrimesc.com.br\/site\/?p=4254"},"modified":"2016-12-29T16:02:42","modified_gmt":"2016-12-29T18:02:42","slug":"alteracao-de-requisito-temporal-para-progressao-de-regime-em-crime-de-trafico-privilegiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/alteracao-de-requisito-temporal-para-progressao-de-regime-em-crime-de-trafico-privilegiado\/","title":{"rendered":"Altera\u00e7\u00e3o de requisito temporal para progress\u00e3o de regime em crime de tr\u00e1fico privilegiado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Habeas Corpus n\u00ba 379.877\/SC, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a<br \/>\nRelator\u00a0:\u00a0Jorge Mussi<\/p>\n<p><em>DECIS\u00c3O<\/em><br \/>\n<em>Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de\u00a0X\u00a0contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela Terceira C\u00e2mara\u00a0<\/em><em>Criminal do Tribunal de Justi\u00e7a do Estado de Santa Catarina, que\u00a0negou provimento ao Agravo em Execu\u00e7\u00e3o n. 0016801-20.2016.8.24.0023.<\/em><br \/>\n<em>Narra a impetra\u00e7\u00e3o que o paciente, condenado \u00e0 pena de 2 (dois) anos\u00a0e 11 (onze) meses de reclus\u00e3o, em regime inicial fechado, pela\u00a0pr\u00e1tica do delito previsto no art. 33, \u00a7 4\u00ba da Lei n. 11.343\/2006,\u00a0requereu ao Ju\u00edzo da execu\u00e7\u00e3o a retifica\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo de suas penas\u00a0com o intuito de fossem alterados os lapsos para progress\u00e3o de\u00a0regime, tendo em vista o recente posicionamento do STF em rela\u00e7\u00e3o ao\u00a0delito perpetrado.<\/em><br \/>\n<em>O pedido foi indeferido, o que ensejou a interposi\u00e7\u00e3o de agravo em\u00a0execu\u00e7\u00e3o penal perante o Tribunal estadual, que n\u00e3o proveu o\u00a0recurso.<\/em><br \/>\n<em>Da\u00ed o presente mandamus, no qual o impetrante sustenta a ocorr\u00eancia\u00a0de constrangimento ilegal ao argumento de que o paciente, condenado\u00a0como incurso no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006, estaria\u00a0cumprindo a sua reprimenda como se o delito em quest\u00e3o fosse\u00a0hediondo, tendo de alcan\u00e7ar lapsos temporais maiores para obten\u00e7\u00e3o\u00a0de eventuais benef\u00edcios prisionais, mencionando que o apenado j\u00e1\u00a0teria cumprido 1\/6 (um sexto) de sua pena.<\/em><br \/>\n<em>Ressalta que o STF, no julgamento do HC n. 118.533, consolidou o\u00a0entendimento de que o tr\u00e1fico privilegiado de entorpecentes dever\u00e1\u00a0receber tratamento distinto daquele atribu\u00eddo aos crimes hediondos e\u00a0equiparados, uma vez que o legislador o considerou como delito de\u00a0menor reprovabilidade.<\/em><br \/>\n<em>Requer, a concess\u00e3o sum\u00e1ria e definitiva da ordem constitucional\u00a0para que, superado o aludido \u00f3bice, seja afastada a hediondez do\u00a0delito de tr\u00e1fico privilegiado de drogas, a fim de que paciente,\u00a0ap\u00f3s o cumprimento de 1\/6 (um sexto) de sua reprimenda, possa\u00a0pleitear a progress\u00e3o prisional almejada.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 o relat\u00f3rio.<\/em><br \/>\n<em>Sabe-se que o acolhimento de liminar em sede de habeas corpus\u00a0reserva-se aos casos excepcionais de flagrante ofensa ao direito de\u00a0ir e vir do paciente e desde que preenchidos os pressupostos legais\u00a0consistentes no fumus boni juris e no periculum in mora.<\/em><br \/>\n<em>Contudo, em um ju\u00edzo perfunct\u00f3rio pr\u00f3prio desta fase procedimental,\u00a0verifica-se a plausibilidade jur\u00eddica do direito invocado,\u00a0necess\u00e1ria \u00e0 concess\u00e3o da medida sum\u00e1ria.<\/em><br \/>\n<em>\u00c9 orienta\u00e7\u00e3o da Terceira Se\u00e7\u00e3o deste Superior Tribunal, firmada no\u00a0julgamento do REsp n. 1.329.088\/ES, representativo da controv\u00e9rsia,\u00a0segundo a qual &#8220;a aplica\u00e7\u00e3o da causa de diminui\u00e7\u00e3o de pena prevista\u00a0no art. 33, \u00a7 4\u00ba, da Lei n. 11.343\/2006 n\u00e3o afasta a hediondez do\u00a0crime de tr\u00e1fico de drogas, uma vez que a sua incid\u00eancia n\u00e3o decorre\u00a0do reconhecimento de uma menor gravidade da conduta praticada e\u00a0tampouco da exist\u00eancia de uma figura privilegiada do crime&#8221; (REsp\u00a01.329.088\/RS, Rel. Ministro SEBASTI\u00c3O REIS J\u00daNIOR, TERCEIRA SE\u00c7\u00c3O,\u00a0julgado em 13\/03\/2013, DJe 26\/04\/2013).<\/em><br \/>\n<em>Nesse sentido, tem-se, inclusive, a S\u00famula 512 desta Corte.<\/em><br \/>\n<em>Todavia, cumpre esclarecer que o decisum impugnado se encontra em\u00a0disson\u00e2ncia com a jurisprud\u00eancia recente do Supremo Tribunal\u00a0Federal, no sentido de que o tr\u00e1fico privilegiado de drogas n\u00e3o\u00a0possui car\u00e1ter hediondo (HC n. 118.533\/STF, Ministra Carmen L\u00facia,\u00a0julgado em 23\/6\/2016), decis\u00e3o que, embora seja desprovida de\u00a0car\u00e1ter vinculante, reflete o posicionamento da maioria do Plen\u00e1rio\u00a0do \u00d3rg\u00e3o legitimado a interpretar a CF\/88.<\/em><br \/>\n<em>Diante do exposto, defere-se a liminar para determinar que o Ju\u00edzo\u00a0da execu\u00e7\u00e3o proceda \u00e0 retifica\u00e7\u00e3o do c\u00e1lculo de penas impostas ao\u00a0paciente, desconsiderando a natureza hedionda do delito de tr\u00e1fico\u00a0privilegiado de entorpecentes para fins de benef\u00edcios prisionais,\u00a0excetuado o indulto e a comuta\u00e7\u00e3o de penas, cuja proibi\u00e7\u00e3o decorre\u00a0da pr\u00f3pria Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/em><br \/>\n<em>Comunique-se com urg\u00eancia o teor desta decis\u00e3o ao Tribunal impetrado\u00a0e ao Ju\u00edzo de origem para que tomem as provid\u00eancias cab\u00edveis e\u00a0prestem as necess\u00e1rias informa\u00e7\u00f5es.<\/em><br \/>\n<em>Solicitem-se informa\u00e7\u00f5es \u00e0 autoridade tida como coatora e ao Ju\u00edzo\u00a0da Vara de Execu\u00e7\u00f5es Criminais a respeito da situa\u00e7\u00e3o do paciente\u00a0ap\u00f3s o cumprimento da liminar.<\/em><br \/>\n<em>Ap\u00f3s, abra-se vista ao Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal para manifesta\u00e7\u00e3o.<\/em><br \/>\n<em>Publique-se. Intimem-se.<\/em><br \/>\n<em>Bras\u00edlia (DF), 22 de novembro de 2016.<\/em><br \/>\n<em>MINISTRO JORGE MUSSI<\/em><br \/>\n<em>Relator<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contribui\u00e7\u00e3o: Dr. Alexandre Bien Neuber<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Habeas Corpus n\u00ba 379.877\/SC, do Superior Tribunal de Justi\u00e7a Relator\u00a0:\u00a0Jorge Mussi DECIS\u00c3O Trata-se de habeas corpus, com pedido liminar, impetrado em favor de\u00a0X\u00a0contra ac\u00f3rd\u00e3o proferido pela<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-4589","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-jurisprudencias"],"acf":[],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/4589","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/users\/4"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/comments?post=4589"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/posts\/4589\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/media?parent=4589"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/categories?post=4589"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aacrimesc.org.br\/json\/wp\/v2\/tags?post=4589"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}